O Estado que mudou o Brasil em 1930.
Da hegemonia castilhista de Borges de Medeiros à Campanha da Legalidade de Brizola — meio século de poder gaúcho contado pelos jornais brasileiros.
A hegemonia castilhista.
O Rio Grande do Sul nasce republicano pelas mãos de Júlio de Castilhos, que escreve uma Constituição estadual positivista em 1891 e funda o Partido Republicano Rio-grandense. Borges de Medeiros sucede o mestre e governa o estado por 25 anos — um quarto de século de dominação política que formará a base do varguismo.


A Revolução parte do Sul.
Em outubro de 1930, tropas gaúchas partem de Porto Alegre em direção ao Rio de Janeiro. Lideradas por Getúlio Vargas e apoiadas por Osvaldo Aranha, Flores da Cunha e jovens tenentes, derrubam a República Velha. É o fim da política do café-com-leite e o início da Era Vargas — quinze anos consecutivos de poder, mais oito no segundo governo.

Estado Novo e ruptura com Flores.
Vargas decreta o Estado Novo em 1937. Flores da Cunha, governador do RS, era um dos principais opositores — exila-se no Uruguai. Osvaldo Aranha, chanceler, conduz o alinhamento brasileiro aos Aliados. A FEB embarca para a Itália em 1944 com forte participação gaúcha — comandos, oficiais e pracinhas documentados pela revista Em Guarda.

Os herdeiros gaúchos.
Vargas volta em 1951, eleito pelo voto popular. Em 1954 se suicida no Palácio do Catete. O legado passa para o sobrinho-trabalhista João Goulart — Jango, presidente em 1961, deposto em 1964. Antes da posse, Leonel Brizola lidera de Porto Alegre a Campanha da Legalidade — corrente nacional que garante a transmissão do poder.
Letras e canções gaúchas.
Enquanto a política gaúcha movia o Brasil, a cultura do estado também produzia ícones nacionais. Erico Verissimo escreveu a trilogia épica O Tempo e o Vento, Simões Lopes Neto fundou o regionalismo literário com os Contos Gauchescos, Lupicínio Rodrigues criou o samba dor-de-cotovelo. Mário Quintana, poeta de Alegrete, virou referência da delicadeza modernista.
Letras, canções e pinturas do Sul.
Enquanto Vargas, Aranha e Brizola moviam o Brasil, o Rio Grande do Sul também produzia ícones culturais nacionais — escritores, sambistas, poetas e pintores cuja obra está sendo catalogada nos jornais brasileiros do século XX.
Seis criações que saíram do pampa pro Brasil.
O continente, O retrato, O arquipélago — sete gerações da família Terra/Cambará atravessando 200 anos de história gaúcha.
Blau Nunes, o velho peão, narra ao redor da fogueira o universo do pampa, fundando o regionalismo literário brasileiro.
A dor-de-cotovelo virou gênero. Lupi inventou o samba que se chora bebendo, e Porto Alegre exportou a fórmula pro Brasil inteiro.
Fragmentos, aforismos, pequenas iluminações — o cronista de Alegrete elevou a brevidade à categoria de arte.
Os carretéis empilhados — densos, sombrios, esculturais — viraram a marca do maior pintor abstrato gaúcho.
Um dos pioneiros do modernismo no Sul, transitou entre o lirismo regionalista e a vanguarda nacional.
Onde o RS aparece no acervo.
Patrocine a expansão da memória gaúcha.
A próxima fase é a indexação do Correio do Povo, da Federação e do Diário de Notícias do RS — todos em domínio público na Hemeroteca da BN. Isso depende de patrocínio cultural, emenda parlamentar ou apoio individual.




