Do Barroco mineiro ao Modernismo de 22 — a arte brasileira contada pelos jornais.
Mais de três séculos de criação brasileira — de Aleijadinho e Gregório de Matos a Mário de Andrade e Villa-Lobos — em pintura, escultura, fotografia, música e literatura. Cada artista com obras icônicas, biografia e menções reais nos jornais que cobriam a cena cultural.
Barroco.
O Brasil ganha voz própria no barroco mineiro. Aleijadinho talha os doze profetas de Congonhas mesmo doente. Mestre Ataíde pinta tetos em Ouro Preto. Gregório de Matos cospe versos satíricos em Salvador — 'Boca do Inferno' contra a hipocrisia colonial. Padre Vieira lança seus sermões. Arte sacra, política e linguística, tudo amalgamado.
Arcadismo.
A Inconfidência Mineira reúne intelectuais como Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Basílio da Gama. Poesia neoclássica, suave e bucólica — Marília de Dirceu — convive com a revolução abafada. Em 1816, chega a Missão Artística Francesa: Debret e os Taunay introduzem o academismo europeu no novo Império tropical.
Academismo.
A pintura brasileira nasce institucional, dentro das paredes da Academia Imperial de Belas Artes. Pedro Américo e Vítor Meireles imaginam o passado nacional em telas monumentais — Independência ou Morte, A Primeira Missa, a Batalha dos Guararapes. Cenas heroicas que ainda hoje povoam livros didáticos brasileiros.
Nicolas-Antoine Taunay
1755–1830 · pintorAuguste Marie Taunay
1768–1824 · escultorJean-Baptiste Debret
1768–1848 · pintorFélix-Émile Taunay
1795–1881 · pintor, professorJohann Moritz Rugendas
1802–1858 · pintor, viajanteVítor Meireles
17 menções1832–1903 · pintorPedro Américo
42 menções1843–1905 · pintorDécio Villares
1 menção1851–1931 · pintor, escultorRodolpho Bernardelli
1 menção1852–1931 · escultorRodolfo Amoedo
7 menções1857–1941 · pintorHenrique Bernardelli
1858–1936 · pintorOscar Pereira da Silva
2 menções1867–1939 · pintor
Romantismo.
A literatura emancipa o Brasil do colonialismo cultural. José de Alencar funda o romance nacional com Iracema e O Guarani. Carlos Gomes leva Il Guarany aos palcos da Scala de Milão — primeira ópera latino-americana de sucesso internacional.
Manuel de Araújo Porto-alegre
1806–1879 · pintor, escritor, diplomataJoaquim Manuel de Macedo
2 menções1820–1882 · escritor, médicoGonçalves Dias
504 menções1823–1864 · poeta, professorJosé de Alencar
50 menções1829–1877 · escritorÁlvares de Azevedo
21 menções1831–1852 · poetaCarlos Gomes
770 menções1836–1896 · compositorCasimiro de Abreu
12 menções1839–1860 · poetaCastro Alves
125 menções1847–1871 · poeta, abolicionista
Realismo.
Almeida Júnior interrompe a tradição mitológica e pinta o caipira paulista como ele é — em O Violeiro, em Caipira Picando Fumo. Machado de Assis disseca a sociedade carioca em Memórias Póstumas e Dom Casmurro. Belmiro de Almeida quebra a idealização burguesa em Arrufos. O Brasil começa a se olhar no espelho.
Machado de Assis
62 menções1839–1908 · escritorJoaquim Nabuco
57 menções1849–1910 · escritor, diplomata, abolicionistaRui Barbosa
74 menções1849–1923 · jurista, escritor, jornalistaAlmeida Júnior
30 menções1850–1899 · pintorJosé Ferraz de Almeida Júnior
1850–1899 · pintorModesto Brocos
1852–1936 · pintorBelmiro de Almeida
1 menção1858–1935 · pintorAntônio Parreiras
5 menções1860–1937 · pintor
Impressionismo.
Eliseu Visconti traz à Pinacoteca o que aprendeu em Paris — pinceladas soltas, luz capturada ao ar livre. Pinta o teto e a cortina do Theatro Municipal do Rio. Marc Ferrez fotografa a Baía de Guanabara com técnica revolucionária, criando o primeiro grande arquivo visual do Rio imperial.
Parnasianismo.
Olavo Bilac escreve o Hino à Bandeira e versos polidos que entrarão em todos os manuais escolares. Lima Barreto, do outro lado da elite carioca, denuncia a sociedade em Triste Fim de Policarpo Quaresma. Euclides da Cunha publica Os Sertões e funda o jornalismo literário brasileiro.
Pré-modernismo.
Monteiro Lobato lê uma exposição da pintora Anita Malfatti em 1917 e a destrói num jornal com o artigo Paranóia ou Mistificação? — provocação que acabaria gerando reação oposta à pretendida: a Semana de Arte Moderna de 1922. Lasar Segall, recém-chegado da Lituânia, já tinha exposto arte moderna em 1913. Algo estava prestes a quebrar.
Modernismo.
A Semana de 22 muda tudo. Mário de Andrade escreve Macunaíma. Oswald de Andrade lança o Manifesto Antropófago — devorar o estrangeiro pra construir cultura própria. Heitor Villa-Lobos transforma melodias populares em Bachianas. Anita Malfatti, antes destruída por Lobato, vira ícone. A imprensa brasileira da época cobre cada exposição, cada manifesto, cada briga.
Graça Aranha
154 menções1868–1931 · escritor, diplomataManuel Bandeira
15 menções1886–1968 · poetaTarsila do Amaral
1 menção1886–1973 · pintoraAnita Malfatti
1889–1964 · pintoraOswald de Andrade
4 menções1890–1954 · escritor, críticoGraciliano Ramos
4 menções1892–1953 · escritorHenrique Cavalleiro
3 menções1892–1975 · pintorMário de Andrade
45 menções1893–1945 · crítico, escritor, musicólogoDi Cavalcanti
8 menções1897–1976 · pintor, ilustradorVicente do Rego Monteiro
1899–1970 · pintor, poetaCecília Meireles
1 menção1901–1964 · poeta, professoraCândido Portinari
12 menções1903–1962 · pintor, muralista
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