Mais de três séculos de criação brasileira — de Aleijadinho e Gregório de Matos a Mário de Andrade e Villa-Lobos — em pintura, escultura, fotografia, música e literatura. Cada artista com obras icônicas, biografia e menções reais nos jornais que cobriam a cena cultural.
O Brasil ganha voz própria no barroco mineiro. Aleijadinho talha os doze profetas de Congonhas mesmo doente. Mestre Ataíde pinta tetos em Ouro Preto. Gregório de Matos cospe versos satíricos em Salvador — 'Boca do Inferno' contra a hipocrisia colonial. Padre Vieira lança seus sermões. Arte sacra, política e linguística, tudo amalgamado.
A Inconfidência Mineira reúne intelectuais como Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Basílio da Gama. Poesia neoclássica, suave e bucólica — Marília de Dirceu — convive com a revolução abafada. Em 1816, chega a Missão Artística Francesa: Debret e os Taunay introduzem o academismo europeu no novo Império tropical.
A pintura brasileira nasce institucional, dentro das paredes da Academia Imperial de Belas Artes. Pedro Américo e Vítor Meireles imaginam o passado nacional em telas monumentais — Independência ou Morte, A Primeira Missa, a Batalha dos Guararapes. Cenas heroicas que ainda hoje povoam livros didáticos brasileiros.
A literatura emancipa o Brasil do colonialismo cultural. José de Alencar funda o romance nacional com Iracema e O Guarani. Carlos Gomes leva Il Guarany aos palcos da Scala de Milão — primeira ópera latino-americana de sucesso internacional.
Almeida Júnior interrompe a tradição mitológica e pinta o caipira paulista como ele é — em O Violeiro, em Caipira Picando Fumo. Machado de Assis disseca a sociedade carioca em Memórias Póstumas e Dom Casmurro. Belmiro de Almeida quebra a idealização burguesa em Arrufos. O Brasil começa a se olhar no espelho.
Eliseu Visconti traz à Pinacoteca o que aprendeu em Paris — pinceladas soltas, luz capturada ao ar livre. Pinta o teto e a cortina do Theatro Municipal do Rio. Marc Ferrez fotografa a Baía de Guanabara com técnica revolucionária, criando o primeiro grande arquivo visual do Rio imperial.
Olavo Bilac escreve o Hino à Bandeira e versos polidos que entrarão em todos os manuais escolares. Lima Barreto, do outro lado da elite carioca, denuncia a sociedade em Triste Fim de Policarpo Quaresma. Euclides da Cunha publica Os Sertões e funda o jornalismo literário brasileiro.
Monteiro Lobato lê uma exposição da pintora Anita Malfatti em 1917 e a destrói num jornal com o artigo Paranóia ou Mistificação? — provocação que acabaria gerando reação oposta à pretendida: a Semana de Arte Moderna de 1922. Lasar Segall, recém-chegado da Lituânia, já tinha exposto arte moderna em 1913. Algo estava prestes a quebrar.
A Semana de 22 muda tudo. Mário de Andrade escreve Macunaíma. Oswald de Andrade lança o Manifesto Antropófago — devorar o estrangeiro pra construir cultura própria. Heitor Villa-Lobos transforma melodias populares em Bachianas. Anita Malfatti, antes destruída por Lobato, vira ícone. A imprensa brasileira da época cobre cada exposição, cada manifesto, cada briga.
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